dia 1
14:27
no quintal
hoje eu fumei porque é o que eu faria. se não fosse mãe. se
eu não tivesse mãe. se não fosse eu. se não fossem os outros. se eu fosse outra.
se eu fosse.
sempre fico muito confusa sendo tudo o que as pessoas
esperam que eu seja. tudo que o mundo espera de mim. com raiva, fumei
precisamente porque não é o que esperam de mim. aí eu percebi: esse mundo que
tudo espera tá mesmo é dentro de mim. e, se eu não sei agir quando não sei o
que esperam de mim, também não sei agir quando não sei o que espero de mim.
SIGO ESPERANDO, o que é uma contradição em termos. não ir,
nem estar. não ser.
eu fui capaz de não fumar porque eu sou capaz de deixar de
ser tudo. eu sou inclusive capaz de deixar de ser.
quando eu deixei de fumar, deixei de existir.
...
depois, num misto de ataque de culpa e metodismo, eu corri
pra lavar as mãos, pra tirar aquele cheiro, e percebi: o que acaba mesmo com a
vida é correr pra se lavar. depois de fumar, depois de trepar.
e quando a gente percebe não está mais fumando nem trepando.
antes de mais nada: espalhe esse blog, não abandone, eu venho fumar contigo todo dia.
ResponderEliminare eu te entendo. tanto. por que a gente precisa dessa segurança? de saber quem se é, o que esperam, o que a gente espera da gente. eu sempre achei que eu me pensava demais. ou me inventava demais.
e as outras pessoas que pareciam tão distraídas de si mesmas tinham uma liberdade muito maior.