dia 6
22:09
é noite

é engraçado como quando tudo parece tomar um sentido maior, eu vou e bagunço tudo.
é assim que eu tava me sentindo quando sentei pra fumar esse cigarro. eu não tava conseguindo ver sentido (nem em fumar, nem em mim, nem nesse blog, pra ser bem sincera).

e aí, eu me senti diferente. mas não é bem isso. eu não me senti diferente.
eu me senti.

de repente as coisas não faziam mais sentido. o mundo lá fora, os barulhos, vocês. essas imagens no meu ‘cinzeiro’ que não querem dizer nada, ainda que me gritem algo. o mundo de fora. eu não sou nada disso.

o que eu sou é muito maior. levei um susto ao perceber que o que eu sinto é ainda maior do que o que eu penso.
e eu sorri.

queria guardar esse momento pra sempre.




(escrito à contragosto, porque o que eu consigo passar pro “papel” já é menor. e eu não queria voltar à redução)

dia 5
4 cigarros em 3 horas de conversa
com m.

abrimos nossa fenda no tempo falando sobre tudo.
demos uma à outra o presente do nosso tempo. tempo presente. o tempo é um presente.
pra nos mostrar.
pra buscar o eu no outro. e nos encontramos.

fiquei com a sensação que a m. é, às vezes, mais eu do que eu mesma. mas como pode?
não, não pode. nosso espelho nos mostra apenas o que queremos ver.

e o que eu não quero ver em mim me entristeceu, acho.
então passei a noite um pouco incomodada.



obs.: se eu tivesse uma conversa dessas todos os dias, não precisaria de nenhuma rede social.