dia 5
4 cigarros em 3 horas de conversa
com m.
abrimos nossa fenda no tempo falando sobre tudo.
demos uma à outra o presente do nosso tempo. tempo presente.
o tempo é um presente.
pra nos mostrar.
pra buscar o eu no outro. e nos encontramos.
fiquei com a sensação que a m. é, às vezes, mais eu do que
eu mesma. mas como pode?
não, não pode. nosso espelho nos mostra apenas o que
queremos ver.
e o que eu não quero ver em mim me entristeceu, acho.
então passei a noite um pouco incomodada.
obs.: se eu tivesse uma conversa dessas todos os dias, não
precisaria de nenhuma rede social.
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